Controle de qualidade da água – sais inorgânicos

Para medir a qualidade da água, o principal parâmetro de controle é a condutividade, que nada mais é que a capacidade do líquido de conduzir uma carga elétrica entre dois pontos (eletrodos)… tipo o pH. A partir disso, conseguimos saber a concentração de sais na água, pois quanto mais sais, mais facilitada será a propagação dos elétrons.

Mas como já disse em outro post, não é qualquer medidor de condutividade que serve. E mesmo que seja um equipamento on-line de uma boa marca e calibrável “de verdade” não quer dizer que vai funcionar. Afinal, as companhias de saneamento também usam condutivímetros para águas de abastecimento público, mas que não possuem sensibilidade para medir uma qualidade de água, como é o caso da que é usada nos laboratórios, com grau de pureza 100 vezes maior do que a que bebemos.

E a tal resistividade!? Que diabos é isso? Nada mais é do que uma fórmula matemática para converter valores decimais baixos de condutividade em um número mais “inteiro”. Para calcular, basta se dividir o valor “1” pela medida da condutividade (dado em microsiemens/cm a 25ºC) que se obtém a resistividade. Então, Resistividade = 1/Condutividade. Simples assim! A resistividade é expressa em megaohms.cm (MΩ.cm a 25ºC). Para não confundir, a resistividade é o contrário da condutividade: quanto maior, melhor! Para ser água purificada o valor precisa então ser maior ou igual a 1. Honestamente, isso dificilmente se consegue com destiladores, deionizadores e osmoses reversas simples passo, já que esses equipamentos fazem uma remoção percentual dos sais, e estão sujeitas a sazonalidade da água de abastecimento.

Por que o resultado tem esse “a 25ºC”? É importante que o valor obtido seja sempre compensado à temperatura ambiente padrão (25 ºC), já que a temperatura influencia diretamente no resultado da medição. Pois quanto mais “fria” está a água, mais alto será o valor da resistividade e, assim, gerar um resultado que pareça ser de uma água de boa qualidade! Não quero “jogar água fria” no seu laboratório, mas se você tiver um destilador ou deionizador simples com valores de resistividade da água muito alta, pode desconfiar do medidor!!!

Gráfico demonstrando a relação entre a resistividade e a temperatura

Mas afinal, o que tudo isso tem a ver com concentração de sais!? Simples! A concentração de sais medida como NaCl (sólidos totais dissolvidos) tem correlação direta com a condutividade.

Comparação entre a concentração de sais (NaCl) e os valores de condutividade e resistividade da água

Deste modo, uma água purificada para produção de medicamentos, conforme a farmacopeia, está em cerca de 500ppb (ou µg/L) de NaCl. Mas se fosse 10 vezes menor seria uma água excelente para aplicações analíticas (0,16 µS/cm ou 6,15 MΩ.cm), como pode ser alcançada, por exemplo, com osmose + eletrodeionização (Ahn? Não entendeu? Segure a curiosidade pois ainda não vou falar sobre isso). E para chegar à água ultrapura de 18,2 MΩ.cm? É necessário um sistema com várias tecnologias de purificação integradas, para que a água produzida tenha concentração de sais inferior a 1ppb. Eu diria que é um líquido literalmente com “zero sal”! Rsrs

Até o próximo post!

Abraços,

Luiz Fontes

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