Quanto custa para você e também para o planeta ainda usar um destilador de água?

O destilador de água é uma tecnologia muito conhecida dos profissionais de laboratório e da área da saúde. É um processo simples e relativamente eficiente. Mas em tempos de crise hídrica, racionamento de energia, em uma sociedade preocupada com a sustentabilidade e o cuidado com o meio ambiente, será que o destilador já passou de herói a vilão?

Tecnologia secular milenar

A metodologia de destilação de água data aproximadamente do século XV (é muito mais antigo que isso!). Aristóteles já sugeria, no séc. IV a.C, que “Através da destilação podemos tornar a água do mar potável e o vinho, assim como outros líquidos podem ser submetidos a este mesmo processo“. Deste modo, a destilação vem historicamente sendo utilizada há milênios por alquimistas na Mesopotâmia, Grécia e Egito, principalmente com álcoois para propósitos medicinais ou fabricação de essências e perfumes.

O método consiste na fervura da água com posterior resfriamento do vapor gerado para voltar ao seu estado líquido (Figura 1A). Neste processo, boa parte dos contaminantes são eliminados, pois não são carreados com o vapor. Simples demais, né!? De lá para cá, o formato dos aparatos mudou, mas tecnologicamente o princípio continua o mesmo, gasta-se muita energia (de fogo até eletricidade) e necessita-se de muita água para condensar o vapor.

Evolução do destilador – dos primeiros aparatos de destilação (1A) aos modelos tipo pilsen (desenho esquemático – 1B)

A eficiência dos destiladores mais comumente utilizados nos laboratórios, tipo pilsen (Figura 1-B), é relativamente boa. Eles permitem obter água com condutividade média entre 0,5 e 5 µS.cm, sujeita a sazonalidade e à qualidade da água de entrada, o que pode não atender às especificações para água purificada, conforme normas internacionais. Já quanto aos parâmetros microbiológicos atende bem, pois a maioria dos microrganismos morrem na fervura. É indicado para laboratórios educacionais ou de ensaios de química e microbiologia básicas.

Quanto custa ao planeta?

Um destilador típico de 5 LPH (L/hora), consome cerca de 4.000 Watts no mínimo (mais do que a maioria dos chuveiros elétricos na posição inverno), e ainda descarta – no ralo do esgoto – pelo 180L de água limpa (potável) ou mais, para cada 1 hora que ele fica ligado no laboratório. O destilador que é ligado de manhã cedinho e produz até o fim da tarde, enchendo um reservatório – literalmente – gota a gota, fica ligado cerca de 10h por dia. Daí você pode pensar, se alguém deixasse o chuveiro elétrico da sua casa ligado, quase metade do dia, imagina quanto viriam suas contas de água e de luz? Inadmissível, né!?
Para exemplificar melhor, vamos calcular os custos!!!

Quadro - Consumo hidroenergético de um destilador 5LPH

Quadro – Consumo hidroenergético de um destilador 5LPH

Observe que neste quadro analisamos um equipamento que produz 5L/h, ou seja no fim do mês (10 horas/dia, 20 dias úteis/mês) seriam produzidos 1.000 Litros (água suficiente para encher uma caixa d’água), mas para isso desperdiçou 35 vezes mais.

Resumindo: para cada 1 litro que o destilador produz de água purificada, ele desperdiça no mínimo 35 litros. No fim de um mês essa quantidade jogada fora daria para suprir a demanda de água (conforme a recomendação da ONU) de uma casa com 10 pessoas. E isto sem contar que para atender esta demanda de energia precisa de mais água represada na hidrelétrica. Assim, baseado nos cálculos de uma publicação do Portal AMAnatureza, um banho de 20 minutos necessita de cerca de 4.000 litros de água represada, extrapolando-se os cálculos, para gerar energia para um destilador por um mês, precisa-se ter represado cerca de 3 milhões de litros. É absurdamente impensável! Dá para dizer que precisa-se de uma mini-hidrelétrica para sustentar esta demanda de água e energia! rs

Bem, nesses cinco anos, principalmente com a crise hidroenergética deste início de 2015, os preços das tarifas já subiram e ainda devem subir mais! Então, agora não tem mais desculpas. Use a calculadora! Além de eliminar o peso na consciência ambiental, já deu para perceber que a economia proporcionada pelo investimento em um novo equipamento pode se pagar em pouco tempo.

Está convencido a substituir o destilador?

Eu, particularmente, acredito que em breve destiladores serão apenas peças de museu, afinal é uma tecnologia secular. E se usar a cabeça (e o coração) você também vai querer desligá-los! Mas não precisa gerar mais lixo para o planeta… Que tal usar também a criatividade para nos dizer que outra finalidade daria para um destilador aposentado?

Até o próximo post!

Um grande abraço,

Luiz Fontes

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